Veterana cineasta baiana encerra carreira como diretora com
doc Anjos de Ipanema
![]() |
Cineasta baiana lança terceiro e último filme no Cine CE 2018 |
Por João Paulo Barreto
Começa neste dia 04, e segue até domingo, 11 de agosto, a
vigésima oitava edição do Cine Ceará, evento que trará diversos destaques da
produção ibero-americana, dentre eles o filme da diretora baiana Conceição
Senna, Anjos de Ipanema. Terceiro
documentário dirigido pela realizadora de 81 anos, o longa aborda a história da
contracultura presente no Rio de Janeiro durante a década de 1970 com foco no
Pier de Ipanema, ponto de encontro de diversas personalidades do cinema, da
música, do teatro e da literatura na capital fluminense.
Conceição Senna teve papel importante na filmografia baiana,
atuando em obras precursoras como o censurado Caveira
My Friend, o marco da ficção cientifica do estado, Abrigo Nuclear, filme de Roberto Pires, além do seminal Iracema – Uma Transa Amazônica, noa qual
atuou sob a batuta do companheiro de longa data, o também baiano Orlando Senna.
Anjos de Ipanema é definido por ela
mesma como a conclusão de seu ciclo cinematográfico como diretora. “É o meu
terceiro e último filme. Nos três, eu busquei de alguma forma abordar as
transformações que passavam as cidades onde vivi”, explica.
TRAJETÓRIA
Anteriormente, ela dirigiu Memória de Sangue e Brilhante,
documentários que abordam transformações em duas das mais importantes
cidades da Bahia. O primeiro, de 1987, trata de Canudos e dos descendentes
diretos do povoado que foi massacrado pelo exército durante a insurreição liderada
por Antonio Conselheiro. “Foi a cidade onde eu cresci. Para fazer o filme, eu
vim de Cuba, país onde morava à época. Reencontrei as minha memórias. Aquilo
ali era território de guerra. Quando criança, nós achávamos as balas dos
conflitos”, relembra a cineasta.
Brilhante, segundo
filme de Conceição Senna, abordou as gravações de Diamante Bruto, filme dirigido por Orlando Senna em 1977. “Quando
Orlando esteve lá em Lençóis para filmar Diamante
Bruto, a cidade estava desmoronando. Ele captou muito da beleza do lugar. O
filme deu muita visibilidade a Lençóis. Tanto que, hoje, trata-se de um dos
pólos turísticos principais do Brasil”, salienta. Dirigido em 2006, o documentário
Brilhante revisitou as pessoas que
participaram do longa de 1977, que tinha José Wilker como protagonista, e, através de uma criteriosa seleção de
material de arquivo, entrega uma reflexão sobre a relação dos moradores tanto
com a produção do filme como com a ascensão que a obra deu à cidade. “Em Brilhante, eu quis abordar o mote do ‘pode um filme transformar uma
cidade?’, uma vez que foi justamente isso que o trabalho de Orlando fez”,
afirma.
QUADRILÁTERO BAIANO
Com seu novo doc, Conceição
afirma ter encerrado sua contribuição cinematográfica. Sendo baiana, a cineasta
também salienta que o foco do filme teve um salientar para o chamado
“Quadrilátero Baiano de Ipanema”, quarteirão formado por ruas cujos nomes levam
homenagens a heróis da História da Bahia.
“Após homenagear Canudos e Lençóis, foquei no Rio, cidade onde vivo. Em Anjos de Ipanema, eu captei depoimentos
de personalidades que viveram aquele movimento intelectual que teve seu centro
no Pier de Ipanema ”, comenta. Dentre as
falas, Maria Gladys, Evandro Mesquita, Graça Medeiros, Luiz Carlos Maciel,
pessoas que viveram aquele período de efervescência. “Foi uma época marcante
culturalmente, onde as pessoas falavam muito de amor, paz, solidariedade,
coisas em falta nos dias de hoje”, conclui.
*Matéria publicada originalmente em A Tarde, dia 05/08/2018
Nenhum comentário:
Postar um comentário