O Cinema no Centro!
Chegando à sua décima quinta edição, o Panorama Internacional Coisa de Cinema
começa nessa quarta e apresenta mais de 120 filmes
Por João Paulo Barreto
Mais do que um simples slogan, a frase que estampa essa matéria, O Cinema no Centro!, denota precisamente
a importância do festival Panorama Internacional Coisa de Cinema na missão de
trazer vida ao Centro de Salvador e a salientar a sétima arte, censurada pelo
atual (des)governo, como algo central na movimentação cultual e econômica do
país. Quinze primaveras cinematográficas rimam com quinze edições do festival. Debutando
em 2019, a mais importante janela de exibição fílmica em Salvador começa nessa
quarta-feira, dia 30, e segue até o dia 06 de novembro. Nestes oito dias, a
maratona cinéfila contará com mais de 120 filmes entre curtas e longas
metragens que vão ocupar três espaços, sendo dois em Salvador (o Espaço Itaú de
Cinema – Glauber Rocha e a Sala Walter da Silveira) e o Cine Theatro
Cachoeirano, localizado na cidade de Cachoeira, no recôncavo baiano.
Dentre os destaques, temos logo na abertura, no Espaço Itaú-
Glauber, às 20h, o escolhido para representar o Brasil na corrida do Oscar, A Vida Invisível, filme de Karim Aïnouz
(de Madame Satá). O filme venceu a
Mostra Um Certo Olhar, da edição 2019 do festival de Cannes, e tem recebido
boas críticas por onde passa. O longa conta a história das irmãs Eurídice e
Guida Gusmão (Carol Duarte e Julia Stockler), duas jovens idealistas que se
tornam vitimas de uma sociedade machista e paternalista, sendo separadas durante os anos 1950 e
vivendo um envelhecimento amargo e repleto de desencontros. Aos 80 anos de
idade, Eurídice (vivida quando idosa por Fernanda Montenegro), encontra cartas
escritas pela irmã desaparecida na juventude. A sessão de A Vida Invisível terá a presença de Carol Duarte, além do diretor
Karim Aïnouz.
Outro destaque a lotar as salas do Espaço Itaú – Glauber na
abertura do Panorama é o documentário Meu
Amigo Fela. Dirigido por Joelzito Araújo, o filme traça um vivo retrato do
multi-intrumentista nigeriano Fela Kuti. Falecido em 1997, Fela teve grande
destaque como líder político, influenciando toda uma geração africana. Após o
filme, um papo com o diretor Joelzito Araújo e o público presente acontece. As
duas sessões terão entrada franca com ingressos sendo retirados duas horas
antes dos filmes. A noite de abertura se encerra com a apresentação musical de
Okwei + Banda Awetto. Com o setlist
baseado no repertório de Fela Kuti, o show acontece no saguão do Espaço Itaú – Glauber.
A entrada tem preço simbólico de R$2 (inteira).
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A Vida Invisível, filme de Karim Aïnouz |
DIFICULDADES E SUPERAÇÕES
Mas a superação do Panorama como essa citada janela de importância vital para a cultura cinematográfica na Bahia, juntamente com a experiência de já ter produzido quatorze edições anteriores, tornam possível o processo de alcançar mais um ano com as já esperadas, mas não menos complicadas, dificuldades. “Nós Já sabemos como fazer o Panorama. Vamos aprimorando aqui e ali, experimentando algumas coisas. Mas, trata-se de um formato consolidado. O Panorama é vital para Salvador, em termos de abertura para o mundo. Um dos festivais mais importantes e reconhecidos do país”, finaliza o cineasta..
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Clássico soteropólitano de Edgard Navarro, Superoutro terá exibição de 30 anos |
COMPETITIVAS E CLÁSSICOS
Como já é tradicional, o Panorama trará mostras competitivas de
curtas e longas metragens baianos, estrangeiros e de outros estados do Brasil.
Dentre os destaques estão Pacarrete, filme
do Ceará que conta a história da protagonista título, uma já aposentada professora
de dança que sonha em organizar um grande balé para a população local. O longa foi o vencedor do Festival de Gramado desse ano. Além deste, Uma Breve Miragem de Sol, filme com Fabrício Boliveira e dirigido por Eryk Rocha, que, para o curador Cláudio Marques, trata-se de uma obra necessária para a reflexão acerca dos tempos atuais. “É um filme pessimista, triste como os nossos tempos. A vontade de cessar a experiência humana. Não é isso que queremos, mas é muito disso que vivemos.”, complementa Cláudio.
Dentre os clássicos exibidos, o Panorama fará apresentações especiais
em comemoração a diversos aniversários de lançamentos. 2019 marca os 30 anos de
Superoutro , clássico baiano dirigido
por Edgard Navarro e estrelado por Bertrand Duarte (a arte dessa edição do
festival homenageia o filme, inclusive). Além disso, Meteorango Kid- O Herói Intergalático, outro clássico baiano,
dirigido por André Luiz Oliveira, chega aos 50 anos ainda mais atual. Ambos
serão exibidos em 35mm. Outro destaque é Redenção,
de Roberto Pires, primeiro longa produzido na Bahia, completa 60 anos, que também
contará com sessão especial, juntamente a uma mostra especial em homenagem a
Glauber Rocha, que completaria 80 anos de idade em 2019. O Panorama celebra a
cultura em um ano cuja lembrança de uma história cinematográfica é perseguida na tentativa de apagá-la. Mas, resistiremos.
“Rever Redenção, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, Meteorango Kid e Superoutro, filmes seminais da nossa cinematografia, em sequência, é uma oportunidade rara! É entender de onde viemos e uma chance para estabelecermos de uma maneira mais adequada o sentido dos nossos caminhos daqui para frente!”, finaliza Cláudio Marques.
A maratona cinéfila começa nesta quarta!
“Rever Redenção, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, Meteorango Kid e Superoutro, filmes seminais da nossa cinematografia, em sequência, é uma oportunidade rara! É entender de onde viemos e uma chance para estabelecermos de uma maneira mais adequada o sentido dos nossos caminhos daqui para frente!”, finaliza Cláudio Marques.
A maratona cinéfila começa nesta quarta!
Pacarrete, vencedor em Gramado, terá sessão no Panorama |