Seleção de 14 filmes
entre longas e curtas nacionais e gringos
Entre 28 e 30 de agosto, produções nacionais e estrangeiras que abordam
importantes temas da diversidade sexual e de gênero são exibidas on line e
gratuitamente
Por João Paulo Barreto
Começa hoje e vai até domingo, através do site
www.votelgbt.org/flix, a quinta edição do
Festival Internacional de Cinema LGBTI. Com exibição gratuita e uma seleção de
14 filmes entre longas, um média e curtas metragens, a mostra trará amplo leque
das produções brasileiras e estrangeiras dos últimos anos dentro do tema LGBTI.
São filmes que discutem questões
relacionadas aos dramas atrelados ao preconceito, à violência e à necessidade
de autoafirmação na luta por um posicionamento social das pessoas LGBTI dentro
da sua orientação sexual.
São contextos ligados à arte da poesia oriunda da periferia do Rio
de Janeiro (MC Jess), bem como à precisa
noção do uso do corpo como meio de se afirmar dentro da sua transsexualidade (Meu Corpo é Político), dentre vários
outros temas e trabalhos. Mas não somente do peso de uma existência é composta
a seleção realizada pela curadoria do festival. Trazendo, também, leveza e
sorrisos através de outras vivências de pessoas LGBTI em uma abordagem menos
densa, a comédia dramática do Uruguai, Os
Golfinhos Vão para o Leste, desenvolve a relação de um solitário gay que
descobre que será avô na visita da sua filha que, até então, evitava rever. A
curadoria do festival é do coletivo #VoteLGBT, que luta por uma ampliação da
representatividade das pessoas LGBTI dentro da sociedade.
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Cena de Meu Corpo é Político, um dos filmes da Mostra |
POESIA DE AFIRMAÇÃO
No sentido de reflexão de uma sociedade menos opressora e calcada
em uma hipocrisia religiosa, familiar e moralista, um dos mais impactantes e
esperançosos trabalhos selecionados pela curadoria do festival é MC Jess, curta metragem de 2018, escrito
e dirigido por Carla Villa-Lobos. "É uma coisa
muito intrínseca à vivência LGBT a questão da família. A fase inicial da aceitação
é um ponto muito marcante, e que vai dizer muito que individuo essa pessoa irá
se tornar. Se ela estiver bem com a família, ela vai viver a sexualidade dela
de uma forma. Se a família já não lida bem com isso, vai ser uma outra
experiência. Eu quis trazer ao filme esse lugar da família também para pensarmos
sobre isso. Sobre essa menina que saiu de casa porque o pai não conseguia lidar",
explica a diretora e roteirista.
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Cena de MC Jess, de Carla Villa-Lobos |
Na figura de uma poetisa e performer vivida por Carol Dall Farra, que sobrevive como
vendedora ambulante em trens do Rio de Janeiro, mas se realiza na leitura de
suas inspiradas rimas e cadências poéticas, o filme traz essa reflexão citada
dentro uma possibilidade de otimismo para a realidade de quem, além de sofrer
preconceito familiar por ser lésbica, precisa ultrapassar as barreiras sociais
e econômicas de sua existência como pessoa negra e vinda da periferia.
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A cineasta Carla Villa-Lobos |
"Enquanto realizadora LGBT, o que eu tenho percebido muito
nas mostras é justamente a gente estar falando também não só das personagens
LGBTs, mas, também, das outras intersecções que essas pessoas têm",
explica Carla acerca da importância do Festival Internacional de Cinema LGBT.