Mostra de Cinema Baiano e Nordestino em Feira de Santana
Com amplo recorte de produções, a Mostra de Cinema
Contemporâneo do Nordeste movimenta a cinefilia na Princesa do Sertão a partir
de amanhã
Por João Paulo Barreto
Começa amanhã e segue até o dia 21 de julho, no Centro
Universitário de Cultura e Arte (Cuca), em Feira de Santana, a segunda edição
da Mostra de Cinema Contemporâneo do Nordeste. Com perfil competitivo, o evento
vai abranger curtas e longas metragens produzidos exclusivamente na região
nordeste. Em um total de mais de cinquenta filmes, a Mostra fará um apanhado da
recente e prolífica produção realizada em diversos estados, incluindo a Bahia,
que estará presente com 24 trabalhos, entre longas e curtas.
Com entrada franca, além da exibição dos filmes, a Mostra
CCN vai oferecer outras atividades. Dentre elas estão a Oficina Curtas para
Internet, ministrada pela cineasta Larissa Fulana de Tal, e a Oficina Direção
de Videoclipes, ministrada pelo cineasta Ícaro de Oliveira. Acompanhando os
minicursos, o seminário “Curar e
programar cinema no interior, da perspectiva das minorias”, será ministrado
pela pesquisadora, cineasta e curadora do festival Cachoeira Doc, Amaranta
Cesar. Além da palestra, Amaranta vai apresentar seu novo filme, Maré, impactante documentário que aborda
diferentes gerações de mulheres negras e suas relações com o local onde vivem nos
arredores de um mangue.
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Cena de Verde Limão, filme de Henrique Arruda |
COMPETITIVAS
Dividida em três mostras competitivas, a CCN 2018 vai exibir
cinco longas metragens do nordeste, dentre eles os baianos Diário de Classe, de Maria Carolina e Igor Souza, que apresenta um
pungente olhar em distintos processos de alfabetização; e o premiado Quilombo Rio dos Macacos, documentário
dirigido por Josias Pires, que aborda a ação excludente da Marinha no processo
de demarcação do terreiro de mesmo nome existente na região metropolitana de
Salvador. Na Competitiva Nordeste de Curtas Metragens, filmes de Pernambuco,
Maranhão, Ceará, Paraíba e Bahia compõem os dez selecionados para a mostra.
Daqui, representam o tocante O Som do
Silêncio, de David Aynan, filme que aborda com propriedade o dia a dia de
um deficiente auditivo e suas relações familiares; e, além dele, Orgulho, breve curta dirigido por
Ricardo Sena, que trata da relação violenta entre dois irmãos e seus receios em
demonstrar emoções.
Com produções exclusivamente do nosso estado, a Competitiva
Baiana trará um total de 11 curtas metragens, dentre eles Estela, filme dirigido por Hilda Lopes Pontes, que tem como
protagonista a atriz Paula Lice, cuja atuação recebeu Menção Honrosa na edição
do ano passado do Panorama Coisa de Cinema.
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Paula Lice em Estela, de Hilda Lopes Pontes |
HOMENAGEM
Completando vinte anos de carreira como cineasta e com nove
produções no currículo, entre curtas e longas metragens, o diretor maranhense
Frederico Machado receberá o Troféu CCN e terá seu novo trabalho, o longa
inédito Boi de Lágrimas, como filme
de abertura da Mostra. Além deste trabalho, o cineasta terá exibido seu filme
anterior, o premiado Lamparinas da
Aurora, e o curta metragem Angústia, produzido
em 2016. O realizador também participará de um bate papo acerca da produção de
um cinema feito de forma enxuta, com equipes pequenas, mas que demonstra um
resultado repleto de esmero e apuro técnico e estético.
MOSTRAS TEMÁTICAS
A CCN também apresentará Mostras Temáticas, com filmes que
dialogam na importante discussão do feminino, na questão LGBTQ, bem como na de
relacionamentos afetivos. Dentre os
destaques das três Mostras Perspectivas no Olhar, Fervendo, de Camila Gregório, curta urgente que aborda a
necessidade de discutir a legalização do aborto; Verde Limão, filme de Henrique Arruda que aborda as lembranças de
uma Drag Queen veterana prestes a entrar no palco pela última vez, e Não Falo Com Estranhos, de Klaus Hastenreiter,
um enérgico e visualmente dinâmico curta acerca das paranóias que precedem as
inseguranças no aproximar do sexo oposto. Com este trabalho, o diretor foi
premiado na edição desse ano do Cine PE.
Para o coordenador geral da Mostra CCN e um dos curadores,
Jessé Patrício, a busca do equilíbrio entre curtas e longas metragens, visando
exibir um panorama abrangente da produção nordestina recente, foi um dos
fatores principais no processo de seleção. Mas, outro ponto se destacou ainda
mais nessa empreitada. “Para mim, um dos pontos que eu priorizei na idealização
da Mostra foi o da possibilidade de criar um público de espectadores de cinema
em Feira de Santana, uma cidade carente no que se refere a opções de acesso a
produções. Mostrar para os feirenses que existe um cinema feito na Bahia e no
nordeste”, explica.
*Matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde, dia 15/07/2018